Wednesday, July 19, 2006

Amazônia, canibais, animais mortos e Ruggero Deodato no melhor filme de sua carreira!



Bem pessoal, depois de algum tempo um pouco ocupado, com livros para ler e outras coisinhas para fazer, agora estou podendo relaxar... Depois também de ter enchido os dois HD's do meu pc com filmes e ter que formatá-lo, venho lhes falar de uma "coisinha" muito da bacanuda que eu tive a oportunidade de rever recentemente, e a cada vez que vejo me sinto mais fascinado por essa parada... os mais conhecidos nesse meio já sabem do que eu estou falando...
Essa preciosidade é nada mais nada menos do que Cannibal Holocaust, filme do célebre diretor italiano Ruggero Deodato que levou o ciclo de filmes de canibais italianos ao ápice. Esse ciclo começou nos anos 70 com o filme The Man From Deep River, de Umberto Lenzi, e grandes diretores italianos entraram nessa onda para fazer sucesso com filmes compostos por pessoas perdidas em florestas, canibais, cenas de documentários reais porcamente usadas para poupar verba, mortes reais de animais, mulher pelada e muita violência gráfica.
Antes desse Cannibal Holocaust outros filmes de canibais já haviam sido produzidos, alguns bons, outros abaixo da média, mas como o próprio cartaz de Canniball Holocaust diz, este é o filme de canibais definitivo, o mais violento e o mais pertubador.
Cannibal Holocaust começa com um repórter fazendo uma reportagem do alto de um arranha-céu, onde somos informados de que quatro jovens cineastas desapareceram na floresta da Amazônia (é isso mesmo, no Brasil!) quando estavam filmando um shockumentary, um daqueles documentários feito só para chocar, tipo Faces da Morte e derivados... Somos então apresentados ao professor de antropologia Harold Monroe (Robert Kerman), que se embrenha na selva com dois guias para tentar descobrir o paradeiro dos quatro jovens. Ele então descobre que os cineastas morreram e uma tribo de canibais recolheu as fitas do documentário. Ele volta para a cidade com as fitas, e se reúne com uma equipe para assistir ao vídeo e descobrir o que aconteceu aos quatro jovens.
Bem, o que aconteceu foi um verdadeiro festival de barbáries e insanidade: os malucos, a fim de filmar algo realmente chocante, queimaram parte da aldeia de uma tribo de canibais e estupraram uma nativa. Só para dar uma piorada, filmaram cenas do guia Felipe mutilando uma tartaruga, arrancando seu casco e talz (brrrrrrrrrr, essa cena é foda), e ainda filmaram a morte do próprio Felipe, quando o coitado é picado por uma cobra e os malucos arrancam a perna do cara a facadas para que o veneno não se espalhe, mas o "procedimento cirúrgico" não dá muito certo e o pobre morre por perda de sangue...
Tão achando que é pouco? Pois ainda vem mais pauleira pela frente... Os canibais que sobreviveram à queimada da aldeia se reúnem e planejam a vingança contra os brancos FDPs que pintaram e bordaram com eles. E é aí que os jovens vão pagar pelo que fizeram, passando por mutilações, estupros e pauladas, até que todos sejam liquidados.
Cannibal Holocaust é um filme realmente muito chocante. O Deodato não economiza na violência e faz questão de mostrar tudo e mais um pouco, tudo muito realista e muito forte, de embrulhar o estômago. A trilha sonora tensa ajuda na construção do clima macabro, e a cada minuto o espectador vai ficando mais desconfortável com as atrocidades mostradas na tela e porque sabe que os jovens inconsequentes vão pagar por brincarem com fogo.
Também dá pra enxergar no filme uma certa crítica ao choque cultural, por trás dos jovens que barbarizam naquela sociedade da qual eles não fazem parte, e são punidos pela intervenção no meio de vida dos canibais.
Somente recomendado para quem tem estômago forte, Cannibal Holocaust merece ser conhecido pela importância que teve não só no cinema italiano mas também mundial, virando clássico, e também porque ver as insanidades do Ruggero na tela é uma experiência excepcional. É filmaço.
PS: Pra quem quiser conhecer o filme, ele não foi lançado por aqui em DVD, somente em VHS, mas hoje essa fita é raridade de 1ª categoria, procurada e disputada com fervor pelos colecionadores. A opção é baixar da net, mas cuidado para não pegar uma versão alterada pela tesourinha da censura...

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