Friday, July 21, 2006

Os dois filmes policiais do ano!!!

Entramos em 2006 e nada de aparecer um super filme policial que me encha de orgulho e satisfação por tê-lo assitido. Eu estava esperando um filme assim já há um bom tempo. Sem grandes expectativas, baixo da internet dois filmes policiais que estavam muito bem falados lá fora, mas não tinha muitas expectativas. Quando termino de assistir os dois, para minha surpresa e extrema felicidade, ainda de queixo caído penso: "é, a espera valeu muito a pena". Pois bem, esses dois filmes são os filmes policiais DO ANO! Depois de vê-los, pra mim poderiam parar de filmar qualquer produção policial até o final de 2006, pois acho muito, mas muito difícil mesmo que algo consiga superar essas duas obras primas. Sem mais demora, vamos a elas:

O primeiro é este Running Scared, que foi lançado por aqui recentemente com o título de No Rastro da Bala. A história do longa é a seguinte: Joey Gazelle é um mafioso membro de uma gangue super barra-pesada. Ele e seus comparsas são encarregados de executar um grupo de supostos inimigos, mas somente depois do serviço feito é que eles descobrem que os bandidos eram na verdade policiais.

Como a principal prova do crime é a arma usada pelo comparsa de Joey, Joey fica encarregado de dar um fim na arma, e para isso a esconde numa parede falsa, no porão de sua casa. O que ele não imagina é que seu filho Nicky (Alex Neuberger) e Oleg (Cameron Bright), amigo do garoto, estão escondidos e observando o esconderijo da arma. Oleg, escondido, rouba a arma, vai para casa e atira em seu pai, um russo fã do ator John Wayne que vive espancando o garoto e sua mãe. Depois disso, o garoto foge com a arma, e Joey, desesperado, sai em busca de Oleg pela cidade, antes que a arma caia nas mãos de seus inimigos e seja tarde demais.

Bem, este é apenas o começo de uma jornada de Joey contra o tempo para recuperar a arma, onde ele terá que lidar com viciados em droga, cafetões, policiais corruptos, chefões da mafia, prostitutas, pedófilos e muitos outros "elementos".

Este é um resumo do roteiro do filme, que lembra muito o magnífico Sin City, repleto de estereótipos, mas aqui a coisa é bem mais realista e encarada com bem mais seriedade e frieza.

A direção de Wayne Kramer, que veio do razoável The Coller - Quebrando a Banca é bem segura e não poderia ser melhor. Sua habilidade para filmar sequências de tiroteio e montar as cenas é incrível, fazendo o uso de elementos que dão um toque todo especial às filmagens. O destaque entre os momentos do filme, vai para aquela sequência que eu não poderia deixar de citar, onde Oleg passa maus bocados no apartamento de um casal de pedófilos. Essa sequência por si só já vale o filme, pois consegue em pouco tempo transformar os nervos do espectador em verdadeiros cacos. Sem dúvida alguma, uma cena arrepiante e crua, botando muitos filmes de horror no chinelo. Para entrar para a história do cinema.

Um grande mérito do filme está também na fotografia, dando a todos os ambientes um aspecto meio espectral e surreal ao mesmo tempo.

O elenco, por sua vez, não faz feio. Quando eu soube que o Paul Walker era o protagonista dessa produção, meu nível de expectativa caiu de maneira absurda. Mas agora eu dou a minha cara à tapa: o malando arrebenta e se redime de todos os seus "pecados cinematográficos". Vera Farmiga, no papel de Terese, a esposa de Joe, está linda como sempre e abrilhanta o filme, mas o destaque vai mesmo para os dois garotos principais, Alex Neuberger e Cameron Bright, que sempre que aparecem roubam a cena, principalmente o Bright, com seu rosto totalmente inexpressivo e seu olhar de desdém. Pelo menos aqui ele dá um sorriso.

No Rastro da Bala é cinema de primeira qualidade, e há muito tempo mesmo que eu esperava por um filme assim. Como já disse, a espera valeu a pena.

Este é o segundo filme do qual eu havia falado. Chama-se Lucky Number Slevin, e será lançado por aqui em agosto com o título Xeque-Mate (que, diga-se de passagem, eu odiei).

Slevin Kelevra (Josh Hartnett) está passando por uma fase de muito azar. O prédio onde mora está condenado e sua namorado acaba de traí-lo. Para tentar dar uma relaxada e esquecer um pouco dos problemas, ele entra em contato com o velho amigo Nick Fisher (Sam Jaeger) e consegue o apartamento dele na cidade de Nova York emprestado.

Quando Slevin chega no apartamento não encontra nem sinal de Nick. Enquanto isso, no submundo do crime de Nova York o filho do chefão da máfia conhecido como O Chefe (Morgan Freeman) é assassinado. O Chefe, revoltado, tem certeza que quem matou seu filho foram os capangas do seu maior inimigo, outro mafioso conhecido como O Rabino (Ben Kingsley). Ele então contrata o matador profissinal Goodkat (Bruce Willis) e arma um plano de vingança contra O Rabino.

Goodkat deverá encontrar um apostador que deva muito dinheiro ao Chefe, já que ele controla as corridas de cavalo de Nova York, e que aceite matar o filho do Rabino, conhecido como A Fada, em troca do anulamento da dívida. Esse apostador é Nick Fisher, mas quando os capangas do Chefe chegam ao seu apartamento para levá-lo, pegam por engano Slevin, que teve a carteira de identidade roubada e não tem como provar que não é seu amigo Nick.

Slevin é intimado pelo Chefe a matar A Fada em no mínimo 3 dias. Quando volta para o apartamento, Slevin é logo surpreendido pelos capangas do Rabino, que o levam para o mafioso. Lá, o Rabino, também acreditando que Slevin é na verdade Nick, diz que ele está lhe devendo 33 mil dólares, e lhe dá 48 horas para pagar a dívida.

A partir daí é uma confusão só, onde tudo vai ficando cada vez mais enrolado e o espectador a cada segundo que se passa teme pelo destino de Slevin e de sua vizinha Lindsey (Lucy Liu), seu par romântico. Não vou contar mais detalhes da história, porque ainda tem muita coisa pela frente e uma série de reviravoltas impressionantes, que eu asseguro, vão fazer seus braços e seu queixo caírem lá longe, assim como aconteceu comigo.

O diretor Paul McGuigan explora esse super roteiro maravilhosamente, e cria um filme policial tão bom quanto ou até melhor do que o já citado No Rasto da Bala. A inventividade da história é impressionante, e desde o asiático Oldboy que eu não via um plano de vingança tão incrível e minuciosamente planejado. Os efeitos e a fotografia do filme são simplesmente fantásticos, tudo muito bem realizado e retocado.

O elenco, como já deu para perceber, é um primor só, repleto de figuraças super conhecidas e competentes (destaque para os veteranos Bruce Willis, Morgan Freeman e Ben Kingsley, melhores do que nunca).

Uma história super intricada e misteriosa, onde nada é o que parece, chefões da máfia, balaços super bem feitos, um elenco cult de primeira categoria, muita ação e muito sangue. Tinha como dar errado? Ter até tinha, mas felizmente não deu e Lucky Number Slevin nasceu para ser clássico. É magnífico, sensacional, fantástico, brilhante e inteligente. Nota 10.