Sunday, January 07, 2007

Alienígenas e muito sangue no novo filme de Eduardo Sánchez


Em 1999, nascia um dos maiores fenômenos de bilheteria dos Estados Unidos. O filme se chamava a Bruxa de Blair, e retratava na forma de um documentário a jornada de três jovens em sua busca por uma lenda chamada "A Bruxa de Blair", nas florestas de Black Hills, nos Estados Unidos. O longa alcançou um sucesso estrendoso, porém o mesmo não ocorreu com a sua dupla de diretores, Eduardo Sánchez e Daniel Myrick, que logo logo sumiram do mapa e passaram a se envolver com pequenos projetos "direct to video" e para a TV. Mas eis que, sete anos depois, Sanchéz volta dar as caras com uma nova e interessante película em mãos. Seu nome: Altered.

Numa noite aparentemente comum, Wyatt (Adam Kaufman) e sua noiva Hope (Catherine Mangan) são surpreendidos pela visita de alguns amigos do rapaz. Eles são Duke (Brad William Henke), Otis (Michael C. Williams) e Cody (Paul McCarthy-Boyington), e logo Wyatt percebe o que está acontecendo: há quinze anos atrás, os quatro rapazes, juntamente com o irmão de Cody, foram abduzidos por alienígenas. Todos conseguiram escapar, porém este último acabou sendo morto. Duke, Otis e Cody resolveram então se vingar pela morte do rapaz e caçar um dos alienígenas, e por isso estavam ali na casa de Wyatt, com o monstro no porta-malas da van de Ducke. Sabendo que a qualquer momento os "reforços" do alienígena chegarão, todos precisam se trancar na garagem da casa de Wyatt até que o dia amanheça e eles possam levar o monstro até uma fazenda próxima.

Pois é. O mais do que clássico argumento "humanos encurralados em um local por seus algozes" cai como uma luva em Altered, apesar de o tal argumento não ser levado tão ao pé-da-letra. O clima de tensão aumenta a cada minuto, principalmente quando se descobre que o alienígena que os amigos aprisionam é muito mais perigoso do que parece. Aliás, o recurso de manter a aparência do monstro escondida por trás de um plástico preto e uma máscara de soldagem é muito bom, deixando sempre a curiosidade do expectador no ar.

A direção do longa é segura e inteligente. O roteiro, enxuto e sem grandes surpresas (mas com suas reviravoltas muito bem elaboradas). A fotografia segue a tendência de muitos filmes atuais, investindo em tons escuros como preto, cinza e azul e muitas sombras. O elenco, composto de figuras no geral desconhecidas, é extremamente competente. Mas no âmbito geral o destaque vai mesmo para a turma da maquiagem. Nada de CGI, somente muito sangue falso e ótimos efeitos especiais, tudo feito à moda antiga. Juntando tudo isso, algo que ficou martelando na minha cabeça foi a grande semelhança entre Altered e o maravilhoso Feast, sobre o qual resenhei há algum tempo.

E por falar em moda antiga, antes de ver o filme li que ele teria um certo "ar" de anos 80. E não é que é verdade? Aliás isso é algo que está sendo cada vez mais fácil de se ver nos filmes de horror atuais. Os fãs, é claro, só têm a comemorar.

Com Altered Sánchez reforça o que já havia provado em A Bruxa de Blair: é um cara muito talentoso. Por isso aproveitem enquanto os torrents ainda estão quentes ou esperem por um possível lançamento do DVD nacional (o que eu acho bastante provável) e prestigiem este filmaço.