Saturday, September 23, 2006

Violência, sexo e maníacos carniceiros na refilmagem do obscuro 2000 Maníacos


Existem filmes bons e filmes ruins. Mas também existem aqueles filmes que não são bons, nem são ruins. Então se eles não são bons nem ruins, o que eles são? Divertidos. Filmes divertidos são aqueles onde tudo pode ser terrivelmente mal produzido, desde o roteiro até as atuações, mas no final você se sente incrivelmente satisfeito. Isso porque você não encarou aquele filme com o mínimo de seriedade, apenas relaxou por alguns minutos e se deixou levar. Bem, todo esse papo é somente para dizer que é esse o caso de 2001 Maníacos, produção norte-americana do ano passado e que só deu as caras por aqui há poucos dias.

Desde que foi anunciada uma refilmagem para um filme pouco conhecido da década de sessenta, Two Thousand Maniacs (2000 Maniacs), que seria dirigida pelo novato Tim Sullivan e se chamaria 2001 Maniacs, essa passou a ser uma das produções mais esperadas do ano passado, principalmente pelo fato do filme ter anunciado um elenco encabeçado pelo ator cult Robert "Freddy Krugger" Englund e pelo fato de que parte da produção ficaria por conta do hypado Eli Roth, diretor de duas das novas pérolas do gênero, Cabin Fever e Hostel. As expectativas eram grandes, e quando o filme finalmente foi lançado, muita gente se decepcionou. Mas também muita gente gostou bastante do filme. E eu estou entre esses que gostaram bastante. A trama so filme é a seguinte.

Anderson (Jay Gillespie), Nelson (Dylan Edrington) e Cory (Matthew Carey) são três jovens universitários idiotas e arruaceiros que decidem passar as férias de verão na casa do irmão de Cory em Daytona Beach, no sul dos States. No caminho eles encontram outro grupo de jovens que estão indo para o mesmo lugar, Ricky (Brian Gross), Kat (Gina Marie Heekin) e Marla (Marla Malcom). Logo de cara rola um clima entre Anderson e Marla, e os jovens acabam combinando de se encontrar em Daytona. Porém ambos os grupos decidem pegar um desvio na estrada, e acabam chegando a uma cidadezinha de exatos 2001 habitantes que nem sequer está no mapa, o Pleasant Valley, um lugar onde todos se vestem e se comportam como pessoas do século passado. Os jovens e mais um casal de namorados motoqueiros que pegam o mesmo atalho são muito bem recebidos pelo prefeito Buckman (Robert Englund), e são convencidos a ficarem na cidade para a cerimônia de júbilo anual, onde ocorrerá um grande churrasco. A única coisa que eles não sabem é que aquela população bondosa não passa de remanescentes da Guerra Civil Americana, que vivem isolados conservando os costumes das antigas comudidades sulistas com o propósito de se vingar dos nortistas que massacraram seu povo. Acontece que os jovens são todos do norte do país, e nem imaginam que eles mesmos serão a carne do churrasco.

Basicamente, esse é o roteiro do filme. Não chega a ser um roteiro ruim, mas em grande parte é apenas desculpa para mostrar um sem-número de cenas de violência super gráficas e muito sexo, muita sacanagem. Esse mesmo roteiro ainda tenta terminar o filme com uma reviravolta surpresa, que poderia até ser surpresa, se não estivesse escrito na sinopse do DVD lançado por aqui. Erro feio da distribuidora.

O elenco é simplesmente uma vergonha. Os jovens protagonistas são todos uns bocós de carteirinha que só pensam em transar e encher a cara. Robert Englund está caricato como sempre, mas mesmo assim abrilhanta o filme com sua interpretação exageradamente trash, remetendo aos seus tempos áureos. Destaque para a participação do produtor Eli Roth, que faz uma ponta como um caronista bem azarado.

A direção do filme é horrenda, os movimentos de câmera são tosquíssimos, o roteiro é fraquíssimo, as atuações são risíveis, mas que se exploda tudo isso. O que vale mesmo são as cenas de mortes e sacanagem, que fazem do filme um espetáculo divertidíssimo. Há de tudo, desde mutilações até empalamentos, esmagamentos, decapitações e mais uma porrada de atrocidades, incluindo até mesmo cenas de violência contra animais. Outro grande destaque vai para as atrizes do filme. Com excessão de algumas velhacas, são todas umas beldades indescritíveis. É ver para crer.

Enfim galera, não vão assistir 2001 Maníacos pensando que é um filme sério, porque ele não é, e se for para analisá-lo seriamente, o filme é uma bomba desastrosa. Por isso fica aqui meu conselho: desliguem seus neurônios por 87 minutos e aproveitem uma diversão descompromissada de primeira qualidade, mulheres com os seios de fora, muito sangue e muita sacanagem. Podem confiar.

Friday, September 22, 2006

II Festival Internacional de Cinema Fantástico e Festival do Rio

Pois é galera, enquanto aqui em Recife a última mostra que aconteceu foi uma mostra de orquídeas (!!!), os nossos amigos gaúchos acabam de ganhar um presentão. É na capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, que irá acontecer o II Festival Internacional de Cinema Fantástico. Serão mais de 20 filmes a serem exibidos em 2 salas de cinema durante 6 dias (17 a 22 de outubro), além de palestras com colecionadores, críticos de cinema e especialistas no ramo, e ainda um curso de criação de roteiros. É mole ou quer mais??? Por aqui, tudo o que eu posso fazer é me lamentar por não ter dinheiro e tempo para viajar até Porto Alegre e me esbaldar durante esses 6 dias, mas fazer o que, ainda não perdi minhas esperanças de que um dia o FanTasia aconteça aqui no Recife, somente pra eu poder me gabar pro resto da minha vida...

E pra me deixar mais deprimido ainda, começou ontem mais uma edição do Festival do Rio, que irá durar 14 dias e tem em sua programação 350 filmes de 60 países. Não há muitos destaques em se tratando de horror, mas tem muita coisa boa e interessante. Além do mais, lá serão exibidos em primeira mão os novos trabalhos de vários figuras, como o mestre Brian de Palma, Martin Scorcese, Kevin Smith, Ridley Scott e o aclamado Darren Aronofsky (The Fountain!!!).

É meus amigos, a vida não pode ser justa para todos. Fico então esperando as palavras de alguns amigos que vão poder apreciar esses eventos. Se alguém que estiver lendo isso tenha frequentado algum desses eventos, comente aqui por favor, nem que seja para me fazer inveja...

Eles...


E lá vamos nós para mais um filme francês! Nada mais justo, já que, como disse na resenha de Calvaire, é da França que está vindo um grande número de produções super inspiradas de diretores super talentosos e competentes. Rasgações de seda à parte, me sinto na obrigação de usar um velho clichê dos críticos de cinema: Parem tudo o que vocês estiverem fazendo nesse momento e dêem um jeito de assistir Ils (2006), produção francesa que com certeza figura entre os melhores filmes deste ano.

Ils começa com uma mulher e sua filha adolescente dentro de um carro em uma estrada escura e deserta. Enquanto as duas discutem sobre a suposta rebeldia da garota, a mãe assusta-se ao ver um vulto no meio da estrada e perde o controle do veículo, que acaba se chocando com um poste. Ela desce do carro para verificar o motor, e sem mais nem menos, some. Sua filha, desesperada, se tranca dentro do carro, mas repentinamente acaba sendo enforcada por um ser misterioso que estava escondido no banco de trás. Corta então para os créditos de abertura.

Lucas (Michaël Cohen) e Clementine (Olivia Bonamy) são um casal que vive uma vidinha pacata em um casarão isolado na cidade de Bucareste, capital da Romênia. Ele ganha a vida como escritor, enquanto ela leciona em uma escola primária da cidade. Certa noite, enquanto dormem, Clementine escuta um estranho barulho no andar de baixo da casa e acorda Lucas para que eles verifiquem o que está acontecendo. Para a surpresa do casal, eles se deparam com alguém roubando o carro de Clementine. Lucas até tenta recuperar o veículo, mas não tem sorte. Enquanto ligam para a polícia para noticiar o roubo, as luzes da casa apagam-se misteriosamente, e o casal passa a ser acuado por luzes de lanternas que vêm do lado de fora da casa e denunciam a chegada de estranhos. Aparentemente eles querem mais do que o carro de Clementine. Tem início então uma jornada alucinante onde Lucas e Clementine terão que lutar por suas vidas ao mesmo tempo em que tentam descobrir o que essas pessoas misteriosas querem deles.

Baseado em fatos reais, Ils é a versão dos diretores David Mureau e Xavier Palud para um dos episódios mais bárbaros já registrados na história da Romênia. Infelizmente não posso contar detalhes sobre tal episódio, pois estragaria por completo o filme.

De qualquer forma, Ils é sem sombra de dúvida uma aula de como fazer suspense e deixar o espectador na ponta do sofá. Em muitos momentos o filme chega a lembrar o maravilhoso e também francês Haute Tension, principalmente pela presença de vários clichês habituais aos filmes do gênero, mas não se enganem, esses clichês não são capazes de desmerecer o filme como um todo de forma alguma.

O filme usa-se de forma sensacional de vários elementos simples para criar uma atmosfera de medo e tensão cada vez maior. E confesso que em várias partes a minha espinha gelou e não tive como controlar uma pontinha de medo. O casarão e suas imediações onde ocorrem a maioria das sequências do filme exalam um clima extremamente mórbido e sombrio, com árvores, cercas e galpões abandonados por todos os lados. A dupla de atores principais, por sua vez, não faz feio e ambos encarnam muito competentemente o papel de um casal que no início de suas vidas já são obrigados a passar por uma incrível provação.

Mas o destaque de todo o filme vai mesmo para os vilões do filme e o seu final. Mórbido, sujo, feio e negativo são apenas alguns adjetivos que podem personificar o final de Ils. Tudo graças à sábia decisão da dupla de diretores em não mostrarem os vilões do filme até os minutos finais. Assim, passamos todo o filme desconfortáveis por não saber com quem ou o que aquele casal está lidando. E se preparem para a revelação de quem são Ils (Eles, em francês), porque dificilmente outro filme conseguirá revelar de forma tão soberba a identidade de seus vilões. Estou falando sério, se preparem para ficar no mínimo de queixo caído.

Como não são bestas nem nada, os produtores de Hollywood, vendo o sucesso estrondoso de Ils pelos festivais de cinema mundo a fora, já importaram os diretores David Mureau e Xavier Palud para dirigirem o remake do fantástico filme japonês The Eye. Odeio remakes, mas nas mãos desses dois rapazes, sinto que pode sair algo decente desse projeto.

Então meus amigos, botem o emule, bitcomet, ou qualquer outro programa de download para funcionar e preparem seus nervos para 77 minutos de muita correria, gritaria e medo. Não esperem gore e litros de sangue, porque isso Ils não tem e nem precisa ter. Apenas sentem e apreciem mais uma pérola do cinema contemporâneo. Muito bom.