Tuesday, July 25, 2006

Um cantor, sua van, e o inferno em forma de albergue...

Ultimamente as produções cinematográficas francesas do gênero horror vêm revelando-se em gratas surpresas. Basta lembrar de filmes como Le Pacte des Loups, I Stand Alone, Irreversible, Haute Tension e por aí vai. O interessante é que quando todo mundo pensa que o gênero vai começar a cair no convencional, como de costume, filmes como esses aparecem e salvam a lavoura, dando um novo vigor aos fãs.
Pois bem, este Calvaire faz parte destes filmes "salvadores". Uma grata surpresa principalmente para mim, que viu um pequeno comentário sobre este filme no IMDB e baixou o dito cujo sem fazer nem idéia do que vinha pela frente. Felizmente, o que veio pela frente foi muito bom.
Mark Stevens (Laurent Lucas) é um cantor que ganha a vida percorrendo o país e participando de eventos em asilos e outras instituições, sempre cantando canções românticas e fazendo umas encenações bem exageradas.
Certo dia, dirigindo por uma estrada escura após um espetáculo em um asilo (onde, diga-se de passagem, uma senhora dá uma cantada bem "direta" no rapaz), Mark se assusta com algo que se lança na frente da sua van e perde a direção do veículo, que sai da estrada e recusa-se a ligar novamente. Mark é então abordado por um rapaz chamado Boris (Jean-Luc Couchard), um doente mental que vive procurando sua cachorra Bella na floresta e que o leva até o albergue abandonado do senhor Bartel (Jackie Berroyer), um homem amargurado pelo fato de sua esposa, uma cantora, ter lhe deixado sem maiores explicações, mas muito gentil e hospitaleiro. Bartel acolhe Mark e lhe promete que na manhã seguinte chamará um mecânico para consertar sua van.
O problema é que Bartel parece querer adiar cada vez mais a chegada do mecânico. Certa manhã, Mark acorda com alguns barulhos estranhos, e quando olha pela janela vê Bartel destruindo sua van com uma marreta. Desesperado, ele desce as escadas freneticamente, e quando aproxima-se de Bartel para impedí-lo de destruir completamente seu veículo é surpreendido com um golpe no rosto e desmaia. Quando acorda, está amarrado em uma cadeira e vestido com roupas de mulher. Acontece que Bartel viu no artista uma representação de sua ex-mulher, e agora acredita que ela está de volta na forma de Mark.
A partir daí o antes velhinho bondoso se revela um maluco de carteirinha e apronta os diabos com o pobre Mark, que ainda terá que lidar com uma vila habitada por loucos liderados por um velho que era ex-amante da mulher de Bartel, e pra variar também acredita que Mark é a mulher que está de volta, passando a persegui-lo. Sentiu o drama???
O interessante de Calvaire é que se você assistir apenas os 30 minutos iniciais sem saber que se trata de um filme de horror você com certeza pensará que se trata de um drama. Acontece que o diretor tomou um rumo bem interessante na sua narrativa e preferiu desenvolver primeiro uma forte relação entre Mark e Bartel, destrinchando as duas personagens e seus trejeitos, para depois engrossar o caldo e jogar o pobre Mark num verdadeiro inferno.
E é quando esse caldo engrossa que Calvaire assume seu tom mais frio e cruel, para mostrar Mark sendo humilhado, espancado, torturado, estuprado e outras sandices. Nada muito bonito de se ver, mas que provavelmente só irá chocar os mais fracos. O enredo de Calvaire e todas as suas cenas de violência fazem lembrar bastante aqueles velhos e bons filmes "para macho" da década de 70, como O Massacre da Serra-Elétrica e Quadrilha de Sádicos, este último principalmente, em elementos como o veículo que quebra no meio do nada e uma família de sádicos que se dispõe a ir à caça do(s) forasteiro(s).
Outro grande destaque de Calvaire está na direção extremamente inspirada do diretor novato Fabrice Du Welz, que tem todo aquele sensacional estilo europeu de filmar e um pouco mais, dando ao filme um verdadeiro tom artístico. A edição também é fantástica, assim como a fotografia que focaliza nas cores mais escuras, principalmente o cinza, e aos poucos ajuda a criar um clima totalmente mórbido.
Eu não poderia também deixar de falar naquela que é uma das melhores cenas que eu vi em um filme nos últimos tempos, quando Bartel visita um bar onde todos os homens da vila estão reunidos, e subitamente um rapaz levanta-se e começa a tocar uma canção super estranha no piano, fazendo com que todos os beberrões do bar se levantem e comecem a dançar como verdadeiros mongolóides uns em frente aos outros, num espetáculo simplesmente surreal. Bizarra ao extremo, esta é daquelas cenas dignas de ganhar um lugar de destaque em qualquer grande filme do David Lynch.
Calvaire merece ser conferido pelo seu climão super mórbido e pela direção com cheirinho de arte. Tem também a cena final que é um primor, finalizando o pesadelo de Mark em uma lindíssima paisagem repleta de neve. Diversão de primeira, rápida e eficaz.

Sunday, July 23, 2006

O filme de humanos x monstros em uma caverna definitivo!!!


Esqueça bobagens como A Caverna, A Caverna do Medo e derivados. The Descent é o filme de humanos x monstros em uma caverna DEFINITIVO! Estou falando de um dos filmes mais assustadores que eu já vi na vida, daqueles que te deixam na ponta da poltrona sem puder se mexer, e até agora minha espinha continua gelada...
Sarah (Shauna MacDonald) é um verdadeiro símbolo da independência feminina. Ela e suas amigas Juno (Natalie Mendoza), Beth (Alex Reid), Rebecca (Saskia Mulder), Sam (MyAnna Buring) e Holly (Nora-Jane Noone) vivem praticando esportes radicais e experimentando outros tipos de aventura.
Certo dia, após cruzar um rio à bordo de um bote, Sarah, seu marido Paul (Oliver Milburn) e sua filha Jessica (Molly Kayll) sofrem um acidente de carro, numa cena simplesmente fantástica. No acidente somente Sarah sobrevive, enquanto que seu marido e sua filha morrem instantaneamente.
Algum tempo depois, para tentar apagar o trauma vivido por Sarah, Juno organiza uma expedição às cavernas Boreham, nas montanhas Apalaches, nos Estados Unidos. Todo o grupo então se reúne em um chalé nas montanhas e até aí tudo bem, tudo certo, muito feminismo, conversas sobre sexo, namorados e por aí vai, pois o diretor faz questão de mostrar que elas não deixam de ser mulheres e faz a partir disso uma crítica implícita ao universo das feministas.
É quando elas chegam na tal caverna, que é na verdade uma enorme fenda no chão, que as coisas começam a esquentar. Nos primeiros minutos de caminhada tudo corre muito bem, sem maiores preocupações. Mas, confiando em Juno, todas se precipitam por uma passagem errada e parte da caverna desmorona, bloqueando a entrada. Desesperadas, Juno acredita que deve existir outra saída em algum lugar, e elas então partem por uma jornada pelos túneis escuros e estreitos da caverna, a 3 km abaixo da terra.
Depois de algum tempo de caminhada, Holly, a mais afoita do grupo, percebe uma forte luz mais à frente. Repleta de esperanças por acreditar que é a luz do dia, ela corre freneticamente em direção ao brilho. Acontece que o brilho é proveniente do mercúrio das rochas, e Holly cai em um fosso no chão, quebrando a perna em uma fratura exposta.
Enquanto todas ajudam a cuidar do grave ferimento de Holly, Sarah se afasta do grupo e volta dizendo ter visto um homem. Ela realmente viu um ser cadavérico de mexer na escuridão, mas ninguém acredita na moça e elas continuam em frente.
E é aí que começa a pauleira. Quando as garotas chegam a um ambiente super escuro repleto de ossos de animais, Sarah pega a câmera filmadora e começa a filmar tudo aquilo. De repente, quando foca a câmera em Rebecca, vê um ser monstruoso atrás da moça. O tal ser é um daqueles que ela disse ter visto antes. Ele se joga em Holly que, sem poder correr, tem o pescoço dilacerado pelo monstro.
A partir daí é uma correria só, com as moças sendo caçadas pelos monstros em um ambiente cada vez mais claustrofóbico e o desespero de todas aumentando a cada minuto, até o ponto em que elas não poderão mais fugir e terão que enfrentar os seus inimigos cara-a-cara.
O filme é um espetáculo de sustos e muito gore. As mortes são todas muito gráficas e o sangue é usado em excesso, com direito a fraturas expostas, pescoços quebrados, facadas, pescoços e barrigas dilacerados a mordidas, crânios fraturados, olhos furados a dedo, golpes de pequenas picaretas, cabeças esmagadas, poços de sangue e muito, muito mais, tudo gratuito até demais. É ver para crer.
Mas o filme não se apoia apenas no excesso de cenas gráficas. O diretor Neil Marshal golpeia o espectador com fantásticas cenas de susto a cada minuto, e todas, todas mesmo, muito eficazes. Chega uma hora em que você passa a ter mais medo dos sustos que sabe que vai levar do que das próprias criaturas que aparecem na tela.
E são essas criaturas a grande atração do filme. Num trabalho de maquiagem excepcional, os seres me fizeram lembrar bastante de duas figuras de outros filme: em sua aparência, do monstro freak de Plataforma do Medo, e em seu jeito de se locomover, o Golum, de Senhor dos Aneis. Os bichos são realmente feios ao extremo, é ver pra saber do que eu estou falando. Eles não enxergam e caçam pelo som de suas presas, e essa característica rende algumas das melhores cenas do filme.
Outro mérito do diretor foi reservar um bom tempo do filme para nos apresentar suas personagens, uma por uma. Assim, conhecendo-as, o expectador fica ainda mais apreensivo pelo destino daquelas moças, que, diga-se de passagem, não é nada bonito.
O diretor Neil Marshal veio do seu sensacional début Cães de Caça, e já nesse segundo filme o cara mostra que é um gênio, que sabe muito bem o que faz e que sabe fazer isso muito bem. Como já era de se esperar, The Descent guarda alguns certas semelhanças com Dog Soldiers. Aqui, as personagens são todas mulheres. Lá, eram todas homens. Nas duas produções, as personagens se viam confinadas em um ambiente totalmente hostil, e precisavam enfrentar os seus inimigos se quisessem sobreviver. Mas as semelhanças param por aí, e eu prefiro o The Descent pelo clima muito mais pesado, já que em Dog Soldiers haviam alguns momentos mais leves e de descontração. Aqui não, é tudo muito frio e cruel, não deixando o espectador relaxar nem por um segundo sequer.
Para quem não quiser recorrer à internet para baixar essa pérola, resta esperar até o dia 7 de setembro, quando a Califórnia Filmes irá lançá-lo nos cinemas. Sem dúvida alguma uma boa pedida pra quem quiser embarcar em um pesadelo de 98 minutos, The Descent é assustador ao extremo. Um dos melhores filme que já tive o prazer de assistir, fantástico, arrepiante, crítico e criativo. Perfeito.

Friday, July 21, 2006

Os dois filmes policiais do ano!!!

Entramos em 2006 e nada de aparecer um super filme policial que me encha de orgulho e satisfação por tê-lo assitido. Eu estava esperando um filme assim já há um bom tempo. Sem grandes expectativas, baixo da internet dois filmes policiais que estavam muito bem falados lá fora, mas não tinha muitas expectativas. Quando termino de assistir os dois, para minha surpresa e extrema felicidade, ainda de queixo caído penso: "é, a espera valeu muito a pena". Pois bem, esses dois filmes são os filmes policiais DO ANO! Depois de vê-los, pra mim poderiam parar de filmar qualquer produção policial até o final de 2006, pois acho muito, mas muito difícil mesmo que algo consiga superar essas duas obras primas. Sem mais demora, vamos a elas:

O primeiro é este Running Scared, que foi lançado por aqui recentemente com o título de No Rastro da Bala. A história do longa é a seguinte: Joey Gazelle é um mafioso membro de uma gangue super barra-pesada. Ele e seus comparsas são encarregados de executar um grupo de supostos inimigos, mas somente depois do serviço feito é que eles descobrem que os bandidos eram na verdade policiais.

Como a principal prova do crime é a arma usada pelo comparsa de Joey, Joey fica encarregado de dar um fim na arma, e para isso a esconde numa parede falsa, no porão de sua casa. O que ele não imagina é que seu filho Nicky (Alex Neuberger) e Oleg (Cameron Bright), amigo do garoto, estão escondidos e observando o esconderijo da arma. Oleg, escondido, rouba a arma, vai para casa e atira em seu pai, um russo fã do ator John Wayne que vive espancando o garoto e sua mãe. Depois disso, o garoto foge com a arma, e Joey, desesperado, sai em busca de Oleg pela cidade, antes que a arma caia nas mãos de seus inimigos e seja tarde demais.

Bem, este é apenas o começo de uma jornada de Joey contra o tempo para recuperar a arma, onde ele terá que lidar com viciados em droga, cafetões, policiais corruptos, chefões da mafia, prostitutas, pedófilos e muitos outros "elementos".

Este é um resumo do roteiro do filme, que lembra muito o magnífico Sin City, repleto de estereótipos, mas aqui a coisa é bem mais realista e encarada com bem mais seriedade e frieza.

A direção de Wayne Kramer, que veio do razoável The Coller - Quebrando a Banca é bem segura e não poderia ser melhor. Sua habilidade para filmar sequências de tiroteio e montar as cenas é incrível, fazendo o uso de elementos que dão um toque todo especial às filmagens. O destaque entre os momentos do filme, vai para aquela sequência que eu não poderia deixar de citar, onde Oleg passa maus bocados no apartamento de um casal de pedófilos. Essa sequência por si só já vale o filme, pois consegue em pouco tempo transformar os nervos do espectador em verdadeiros cacos. Sem dúvida alguma, uma cena arrepiante e crua, botando muitos filmes de horror no chinelo. Para entrar para a história do cinema.

Um grande mérito do filme está também na fotografia, dando a todos os ambientes um aspecto meio espectral e surreal ao mesmo tempo.

O elenco, por sua vez, não faz feio. Quando eu soube que o Paul Walker era o protagonista dessa produção, meu nível de expectativa caiu de maneira absurda. Mas agora eu dou a minha cara à tapa: o malando arrebenta e se redime de todos os seus "pecados cinematográficos". Vera Farmiga, no papel de Terese, a esposa de Joe, está linda como sempre e abrilhanta o filme, mas o destaque vai mesmo para os dois garotos principais, Alex Neuberger e Cameron Bright, que sempre que aparecem roubam a cena, principalmente o Bright, com seu rosto totalmente inexpressivo e seu olhar de desdém. Pelo menos aqui ele dá um sorriso.

No Rastro da Bala é cinema de primeira qualidade, e há muito tempo mesmo que eu esperava por um filme assim. Como já disse, a espera valeu a pena.

Este é o segundo filme do qual eu havia falado. Chama-se Lucky Number Slevin, e será lançado por aqui em agosto com o título Xeque-Mate (que, diga-se de passagem, eu odiei).

Slevin Kelevra (Josh Hartnett) está passando por uma fase de muito azar. O prédio onde mora está condenado e sua namorado acaba de traí-lo. Para tentar dar uma relaxada e esquecer um pouco dos problemas, ele entra em contato com o velho amigo Nick Fisher (Sam Jaeger) e consegue o apartamento dele na cidade de Nova York emprestado.

Quando Slevin chega no apartamento não encontra nem sinal de Nick. Enquanto isso, no submundo do crime de Nova York o filho do chefão da máfia conhecido como O Chefe (Morgan Freeman) é assassinado. O Chefe, revoltado, tem certeza que quem matou seu filho foram os capangas do seu maior inimigo, outro mafioso conhecido como O Rabino (Ben Kingsley). Ele então contrata o matador profissinal Goodkat (Bruce Willis) e arma um plano de vingança contra O Rabino.

Goodkat deverá encontrar um apostador que deva muito dinheiro ao Chefe, já que ele controla as corridas de cavalo de Nova York, e que aceite matar o filho do Rabino, conhecido como A Fada, em troca do anulamento da dívida. Esse apostador é Nick Fisher, mas quando os capangas do Chefe chegam ao seu apartamento para levá-lo, pegam por engano Slevin, que teve a carteira de identidade roubada e não tem como provar que não é seu amigo Nick.

Slevin é intimado pelo Chefe a matar A Fada em no mínimo 3 dias. Quando volta para o apartamento, Slevin é logo surpreendido pelos capangas do Rabino, que o levam para o mafioso. Lá, o Rabino, também acreditando que Slevin é na verdade Nick, diz que ele está lhe devendo 33 mil dólares, e lhe dá 48 horas para pagar a dívida.

A partir daí é uma confusão só, onde tudo vai ficando cada vez mais enrolado e o espectador a cada segundo que se passa teme pelo destino de Slevin e de sua vizinha Lindsey (Lucy Liu), seu par romântico. Não vou contar mais detalhes da história, porque ainda tem muita coisa pela frente e uma série de reviravoltas impressionantes, que eu asseguro, vão fazer seus braços e seu queixo caírem lá longe, assim como aconteceu comigo.

O diretor Paul McGuigan explora esse super roteiro maravilhosamente, e cria um filme policial tão bom quanto ou até melhor do que o já citado No Rasto da Bala. A inventividade da história é impressionante, e desde o asiático Oldboy que eu não via um plano de vingança tão incrível e minuciosamente planejado. Os efeitos e a fotografia do filme são simplesmente fantásticos, tudo muito bem realizado e retocado.

O elenco, como já deu para perceber, é um primor só, repleto de figuraças super conhecidas e competentes (destaque para os veteranos Bruce Willis, Morgan Freeman e Ben Kingsley, melhores do que nunca).

Uma história super intricada e misteriosa, onde nada é o que parece, chefões da máfia, balaços super bem feitos, um elenco cult de primeira categoria, muita ação e muito sangue. Tinha como dar errado? Ter até tinha, mas felizmente não deu e Lucky Number Slevin nasceu para ser clássico. É magnífico, sensacional, fantástico, brilhante e inteligente. Nota 10.

Thursday, July 20, 2006

O ápice de Pedro Almodóvar!!!



Definitivamente, eu amo o trabalho do cineasta espanhol Pedro Almodóvar. Ele é ninguém mais ninguém menos do que o responsável por alguns dos filmes mais belos e criativos que eu já tive o prazer de assistir. Desde que pus os olhos em Labirinto de Paixões, nunca mais eu parei de procurar filmes do cara.

E é com um enorme sorriso no rosto que eu venho lhes dizer: essa semana eu assisti o melhor filme de Almodóvar. Estou falando de Hable Con Ella, produção lançada por aqui com o título de Fale Com Ela.

Pois bem, Hable Con Ella, ou Fale Com Ela, se preferir, é o filme mais sensível, inventivo e tocante do currículo de Almodóvar, uma obra de grandeza magnífica. E não é exagero, Fale Com Ela está entre os melhores filmes que já vi (vide listinha resumida no profile).
A história do filme é a sequinte: Benigno (Javier Cámara) é um jovem enfermeiro que vive em Madri e perdeu a mãe recentemente. Toda sua vida é dedicada a cuidar da bela jovem Alicia (Leonor Watling), por quem apaixonou-se ao vê-la dançar balé mas nunca teve a oportunidade de declarar-se, já que antes que o pudesse fazê-lo a garota sofreu um acidente de carro e entrou em coma. Como Benigno possuia boa reputação, o pai da garota o contratou para cuidar de sua filha em estado vegetativo, na clínica El Bosque. Apesar de Alicia estar desacordada, Benigno permanece mantendo longas conversas com ela, pois acredita que mesmo naquele estado ela possa ouvi-lo.
Em um espetáculo teatral, Benigno senta-se ao lado de um homem e percebe que ele está extremamente emocionado. O espetáculo é realmente muito comovente, mas Benigno não tem coragem de falar com o homem. Meses mais tarde Benigno se encontra novamente com este homem no hospital em que trabalha. Ele é Marco (Darío Grandinetti), e está ali porque sua mulher Lydia (Rosario Flores), toureira profissional, entrou em estado de coma após um acidente com um touro. Quando Benigno vê Marco passar em frente ao quarto de Alicia chama-o para conversar, e a partir daí inicia-se um forte laço de amizade entre os dois, cheio de emoções, desabafos, altos e baixos. Nesse interim, a vida dos quatro personagens será recontada e desenvolvida, culminando em um destino inesperado para todos eles.
Ufa, que roteiro hein... Pois com um roteiro desses nas mãos, Almodóvar se esbalda, e faz com o expectador o que ele bem quer, mexendo com nossos mais profundos sentimentos, concepções, e fazendo com que a gente se identifique com suas personagens.
E são essas personagens a alma do filme, soberbamente bem apresentados e desenvolvidos. O elenco é um primor só, com destaque para as duas mulheres centrais, que mesmo não movendo um fio de cabelo sequer durante praticamente todo o filme (elas estão em coma, lembre-se), roubam a cena quando aparecem, mais pelas reações, atos e sentimentos que despertam nos dois personagens masculinos.
O título do filme pode parecer um pouco estranho, mas faz todo o sentido: Marco, traumatizado pela experiência com sua mulher, recusa-se a tocá-la. Benigno lhe dá um conselho muito simples: fale com ela. No mínimo interessante...
Outro destaque está em certos elementos que os brazucas vão gostar de ver no filme. São eles: uma participação de Caetano Veloso, que aparece em um show cantando uma música belíssima e faz desse um dos momentos mais lindos do filme, uma citação que Lydia faz a Tom Jobim, e a trilha sonora composta por algumas músicas brasileiras.
Resumindo, Fale Com Ela é um verdadeiro espetáculo, e um espetáculo lindo de se ver. O final dessa obra é uma das coisas mais belas que já vi na vida, e sintetiza tudo aquilo que Almodóvar quis passar para o espetador: somos maleáveis, suscetíveis e sensíveis. Nós somos os nossos sentimentos. Belíssimo.

Wednesday, July 19, 2006

Amazônia, canibais, animais mortos e Ruggero Deodato no melhor filme de sua carreira!



Bem pessoal, depois de algum tempo um pouco ocupado, com livros para ler e outras coisinhas para fazer, agora estou podendo relaxar... Depois também de ter enchido os dois HD's do meu pc com filmes e ter que formatá-lo, venho lhes falar de uma "coisinha" muito da bacanuda que eu tive a oportunidade de rever recentemente, e a cada vez que vejo me sinto mais fascinado por essa parada... os mais conhecidos nesse meio já sabem do que eu estou falando...
Essa preciosidade é nada mais nada menos do que Cannibal Holocaust, filme do célebre diretor italiano Ruggero Deodato que levou o ciclo de filmes de canibais italianos ao ápice. Esse ciclo começou nos anos 70 com o filme The Man From Deep River, de Umberto Lenzi, e grandes diretores italianos entraram nessa onda para fazer sucesso com filmes compostos por pessoas perdidas em florestas, canibais, cenas de documentários reais porcamente usadas para poupar verba, mortes reais de animais, mulher pelada e muita violência gráfica.
Antes desse Cannibal Holocaust outros filmes de canibais já haviam sido produzidos, alguns bons, outros abaixo da média, mas como o próprio cartaz de Canniball Holocaust diz, este é o filme de canibais definitivo, o mais violento e o mais pertubador.
Cannibal Holocaust começa com um repórter fazendo uma reportagem do alto de um arranha-céu, onde somos informados de que quatro jovens cineastas desapareceram na floresta da Amazônia (é isso mesmo, no Brasil!) quando estavam filmando um shockumentary, um daqueles documentários feito só para chocar, tipo Faces da Morte e derivados... Somos então apresentados ao professor de antropologia Harold Monroe (Robert Kerman), que se embrenha na selva com dois guias para tentar descobrir o paradeiro dos quatro jovens. Ele então descobre que os cineastas morreram e uma tribo de canibais recolheu as fitas do documentário. Ele volta para a cidade com as fitas, e se reúne com uma equipe para assistir ao vídeo e descobrir o que aconteceu aos quatro jovens.
Bem, o que aconteceu foi um verdadeiro festival de barbáries e insanidade: os malucos, a fim de filmar algo realmente chocante, queimaram parte da aldeia de uma tribo de canibais e estupraram uma nativa. Só para dar uma piorada, filmaram cenas do guia Felipe mutilando uma tartaruga, arrancando seu casco e talz (brrrrrrrrrr, essa cena é foda), e ainda filmaram a morte do próprio Felipe, quando o coitado é picado por uma cobra e os malucos arrancam a perna do cara a facadas para que o veneno não se espalhe, mas o "procedimento cirúrgico" não dá muito certo e o pobre morre por perda de sangue...
Tão achando que é pouco? Pois ainda vem mais pauleira pela frente... Os canibais que sobreviveram à queimada da aldeia se reúnem e planejam a vingança contra os brancos FDPs que pintaram e bordaram com eles. E é aí que os jovens vão pagar pelo que fizeram, passando por mutilações, estupros e pauladas, até que todos sejam liquidados.
Cannibal Holocaust é um filme realmente muito chocante. O Deodato não economiza na violência e faz questão de mostrar tudo e mais um pouco, tudo muito realista e muito forte, de embrulhar o estômago. A trilha sonora tensa ajuda na construção do clima macabro, e a cada minuto o espectador vai ficando mais desconfortável com as atrocidades mostradas na tela e porque sabe que os jovens inconsequentes vão pagar por brincarem com fogo.
Também dá pra enxergar no filme uma certa crítica ao choque cultural, por trás dos jovens que barbarizam naquela sociedade da qual eles não fazem parte, e são punidos pela intervenção no meio de vida dos canibais.
Somente recomendado para quem tem estômago forte, Cannibal Holocaust merece ser conhecido pela importância que teve não só no cinema italiano mas também mundial, virando clássico, e também porque ver as insanidades do Ruggero na tela é uma experiência excepcional. É filmaço.
PS: Pra quem quiser conhecer o filme, ele não foi lançado por aqui em DVD, somente em VHS, mas hoje essa fita é raridade de 1ª categoria, procurada e disputada com fervor pelos colecionadores. A opção é baixar da net, mas cuidado para não pegar uma versão alterada pela tesourinha da censura...

Sunday, July 02, 2006

Semana de provas...

galera, sabem como é, vida de adolescente, aulas, trabalhos, e como essa semana agora é semana de provas, queria dizer que provavelmente só vou pode atualizar o Suspiros e Trovões na próxima semana, quando já vou estar de férias... é só ter paciência... fui!!!